"Quero dizer-te aqui que a minha pele se ri ao teu toque quente, quando tens as minhas pernas enrodilhadas nas tuas, os meus dedos agentes infiltrados nos teus cabelos, a tua língua a trucidar-me até que me faças sentir-te outra e outra vez nos teus braços e dos meus olhos, que rebolam pelo quarto sem saberem para que parede devo atirar e deixar explodir o gozo, que não me cabe mais cá dentro.
Gosto quando percebo que afinal estás acordado, apenas a pensar, a ganhar tempo, a cozinhar até ficar no ponto. Até se revelar uma inevitabilidade acordares-me dessa forma que me faz derreter (literalmente), até pararmos por um tiro certeiro do Sol, um sniper com silenciador que se revela naquela janela a denunciar mais uma vez que é tarde. Queria que percebesses que há entre nós um laço, mais do que um laço, um nó, um amor complexo e irremediável, cheio de voltas e contravoltas. Dizer-te que sei que te tenho algures dentro de mim. Que gosto do amor e da sensualidade que deixas depositados nos cantos da casa, das minhas e das tuas olheiras mastigadas, olhar com pena as pernas negras de tanto nos amarmos. Como explicar?, que as coisas são simples afinal. Que a dor não passa de um caminho de sentido obrigatório que não dá para atalhar. Até um dia chegarmos a quem nos espera desde sempre e vermos quem esperámos toda a vida. Um dia olharemos para trás e leremos os dois este texto palavra por palavra, promessa por promessa. E será exactamente como te disse."
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