quinta-feira, 19 de agosto de 2010

As pedras falam

Perdida na escuridão da noite
Entre vozes que não conhecia,
Vozes ásperas subidas do chão
No rude timbre da pedra fria

As vozes cercam-me de dor
Passado que eu não quero escutar
Fujo veloz desse gélido rumor
Perco-me antes de me encontrar

Falam de dores suas que são minhas
Gritam o que eu me escuso a sentir
- Lápide do desassossego que caminhas
Cala-te que não te quero ouvir!

Pedras frias só falam de coisas mortas
Pedras soltas onde tropeço ou escorrego

As pedras também falam. Não sabias?
Falam de nós próprios, são ecos da alma
Por isso elas são tão duras e frias
E quando nos acolhem jazem calma.

Fingimos não as ouvir, sentados apenas,
Na aspereza do banco que também é voz
Mas elas falam, … são rumores de penas,
Rosários da consciência escondida em nós

Um dia vou deixá-las falar até ao fim
Talvez me encontre onde me perdi!
Talvez alguma delas saiba de mim
E no mármore, a negro, diga que vivi…

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